ESPOROTRICOSE FELINA: RELATO DE CASO

  • VITÓRIA GÂMBARO STECANELLA
  • CAROLINA YUKA YASUMITSU
  • ISABELLE PALETA VILLANI
  • BRUNA LETÍCIA DOMINGUES MOLINARI

Resumo

A esporotricose é uma micose de evolução subaguda ou crônica causada pelos fungos do gênero Sporothrix. O gênero é composto por fungos dimórficos, que apresentam a forma miceliana quando em temperatura ambiente e a forma leveduriforme quando exposto a 37ºC. Pode viver em saprofitismo em vegetais, detritos de plantas com material orgânico, solo ou água contaminada e também na pele, boca, pelos e unhas de animais e cavidade orofaríngea humana. Entre os animais domésticos, a doença tem maior frequência nos gatos. A espécie felina está envolvida com relatos zoonóticos, uma vez que a transmissão ocorre principalmente através de arranhaduras, mordeduras e até mesmo pelo contato de seres humanos com lesões. No Brasil, a esporotricose em humanos tem maior incidência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Devido ao aumento considerável no número de pessoas e animais doentes, o objetivo deste estudo foi relatar um caso de esporotricose felina no município de Paranavaí, Paraná. Um felino macho, sem raça definida, pesando 4,3 kg, não castrado, encontrado nas ruas da cidade, apresentava nódulos e lesões ulceradas na cavidade nasal e orelhas sugestivos de neoplasia de células escamosas. Diante dos sinais clínicos apresentados pelo animal foram realizados os exames citológico e histopatológico das lesões, sendo o resultado sugestivo de esporotricose. Perante os resultados obtidos, a droga de escolha para o tratamento do animal foi o antifúngico Itraconazol, 100mg por animal, uma vez ao dia, durante 90 dias. Após 40 dias de tratamento, o animal já apresentava remissão das lesões. Embora a cultura fúngica para isolamento do agente não tenha sido realizada, a associação dos sinais clínicos, histórico do animal e resposta ao tratamento estabelecido contribuíram para a confirmação de infecção pelos fungos do gênero Sporothrix.  Por se tratar de uma zoonose considerada emergente, o diagnóstico precoce da doença é de extrema importância, devendo a mesma ser inclusa como diagnóstico diferencial em casos de presença de lesões ulcerativas em felinos. Adicionalmente, a posse responsável se faz de extrema importância para diminuição da incidência de animais abandonados que podem servir de reservatórios da doença para outros animais e humanos.
Publicado
2019-09-24
Como Citar
STECANELLA, VITÓRIA GÂMBARO et al. ESPOROTRICOSE FELINA: RELATO DE CASO. REVISTA UNINGÁ REVIEW, [S.l.], v. 34, n. S1, p. 29, set. 2019. ISSN 2178-2571. Disponível em: <http://revista.uninga.br/index.php/uningareviews/article/view/3082>. Acesso em: 20 out. 2019.